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Plutão (Hades) em discurso directo

Olá! Eu sou Plutão. Na Grécia chamavam-me Hades, e em Roma adotaram-me como Plutão. Mas para dizer a verdade estou mais concentrado no que tenho para fazer com
os humanos do que em etiquetas com nomes. Falo-vos directamente do meu mundo para esclarecer alguns pontos assaz misteriosos. Mistérios, segredos e coisas escondidas,
isto é no meu "guichê" de atendimento, que está sempre aberto... a novas possibilidades.

Para começar quero esclarecer um ponto muito importante. Quando em cima me referi a mistérios
e coisas escondidas, não confundam estas coisas com as trapalhadas do meu irmão Neptuno,
o dissimulador que ilude tudo e todos. Eu, Plutão, sou bem claro nos meus desígnios... quero dizer... bem escuro, porque obrigo os humanos a entrar
nas suas caves e subterrâneos sombrios, e a terem de remexer no que andam por demasiado tempo
a manter escondido, e até em outras coisas que eles, humanos, nem sabem que carregam. E quando chega o momento em que eu me imponho em suas vidas, os primeiros sons que oiço dos humanos são
- Hai! Hui! Hai! Hui! Nestas fases não concedo tolerância para o que quer que seja. Quando chega o momento de destruir para renovar, cá estou eu pronto para dar, quero dizer, emprestar, porque eu nada dou, apenas empresto uma mãozinha para executar o veredito final (fica-me bem esta palavra, executar, não fica?) Todos de mim têm medo.
Dizem que sou hediondo, cara feia e tenebrosa,
mal intencionado, e estrago tudo quando parece que está tudo bem. Mas os humanos não veem
o que eu vejo. Por isso tenho de lhes mostrar o que teimosamente eles se recusam a ver. Este problema
é muito antigo, assim como eu. Sim! Sou muito antigo mesmo. Podem crer que sou. Os ignorantes dos ocidentais é que viverem séculos à margem de uma realidade bem mais ampla do que eles pensavam naquelas épocas. E custou-lhes bem caro a ignorância. Mas nesses tempos havia, e ainda há, um representante para firmar ou reconstruir o que
já não tinha possibilidades de continuar. Sabem
de quem estou eu a falar? É do meu papá, o Saturno. Na Grécia chamavam-lhe Cronos. Mas não importa. Ele, o meu papá, nestes tempos modernos tem outras tarefas para desempenhar. Há largos tempos que sou eu que trato de certos negócios e ponho termo a tudo que já está fora de prazo e só "preso por um fio". E até para cortar o "fio" tenho colaboradoras, embora nada lhes pague como compensação. Já lhes basta o prazer de verem os humanos tombarem. Mas já me estou a desviar do assunto principal. Voltando às minhas competências, eu trato de trazer ao de cimo tudo o que já andou demasiado tempo escondido na sombra. A este momento vocês já reclamaram do teor do meu discurso, porque tenho estado a expressar-me em abstrato, nada de concreto dizendo. Pois bem.
Aqui vai a lista do que estou incumbido de executar. Eu, Plutão para os romanos e Hades para os gregos, o "Senhor dos Infernos"... Ups! Desculpem lá esta. Mas eu não tenho culpa. Foi o meu irmão Júpiter (Zeus) que me deu este cargo. Se eu soubesse
no que me estava a meter provavelmente não teria aceitado. Mas confesso que depois de ver o condomínio onde o meu irmão me colocou, até não está mal de todo. Afinal de contas alguém tem de fazer o "trabalho sujo". Vocês aí em cima não têm
os homens e as mulheres do lixo em vários níveis? Não!? Então vejam. Em primeiro lugar têm os homens, e agora também as mulheres, que todos
os dias (se não é devia ser), recolhem e tratam o lixo que vocês fazem, e que muitos de vocês nem têm
o devido cuidado que deveriam ter. Vocês também têm outra secção de tratamento de outro tipo de lixo que são os psicólogos, psicólogas, terapeutas de toda a ordem, médicos (esta parte é polémica), enfermeiros e enfermeiras, todo este naipe de pessoas a tentarem compor o que vocês, humanos, estão sempre a desordenar. E este naipe de pessoas todas missionárias do bem, eles próprios também têm de lidar com o seu próprio caos pessoal.
E isto são apenas pequenos exemplos. Bom!
E então a lista? Cá vai a minha tabela de serviços prestados aos humanos... "PRO BONO".

Doenças terminais: se não houver consciência
do mal provocado a si próprio, se não houver capacidade de entender que os caminhos que conduziram ao estado em que se encontra não são úteis, e se já não houverem as condições mínimas para que se verifique a recuperação, então, eu finalizo. Finalizo? Sim! Encarrego-me da viagem
de ida para o "meu mundo". Quanto a uma futura viagem de regresso à vida na 3D em um belo (a ver vamos) corpo físico novinho à estreia? Isso já será outra história, mas não para esta sessão de esclarecimento. Esta é apenas uma sessão de avisos.

Divórcios: nesta matéria não estou sozinho. Também não tenho de ser eu a fazer tudo. Então os meus ajudantes em divórcios, imaginem, são, o Júpiter,
o Saturno, o Urano, e aquela coisa queridinha e fofa a que chamam Marte. Este último sempre se encarrega de dar "aquele empurrãozinho que estava a faltar". E vocês pasmam com esta lista de ajudantes na secção de divórcios, não é verdade? Então, Júpiter? O meu querido irmão que me empurrou escada a baixo para os subterrâneos? Vocês sabiam que ele é chamado de "O Benéfico"? Mas deixem-me rir. É que o meu irmão Júpiter (Zeus), em certas circunstâncias não é "flor que se cheire". Como ele tem a mania das grandezas, assim que ele vê alguma coisa que já está em estado degradado, ele vai e amplia o que já mal estava. E quanto ao meu ajudante Saturno (Cronos). Bem! Ele é o meu querido pai. E a isto é o que podemos chamar de "negócios de família". Tenho mesmo de falar dele? Afinal, o "fulano" engoliu-me. Esta façanha nunca
lhe hei-de perdoar. Aliás, perdoar não é o meu forte. Seguindo na lista dos colaboradores vamos encontrar Urano, o meu outro irmãozinho. E com este não se pode contar para estarmos muito tempo parados no mesmo lugar e fazendo tudo sempre
da mesma maneira. Ele é sedento por inovações. Estagnações não é com ele. Já viram esta "trupe" para tratar de divórcios? Ups! Esqueci-me de falar
do Marte. Mas ele também é apenas um acessório. Mas não se descuidem. Porque mesmo como acessório, o Marte quando descompensado faz muitos estragos. É ele e a sua irmãzinha, a Éris. Aliás, lá no Olimpo nenhum dos outros deuses se queriam cruzar com eles. Bom! Já viram que quanto a divórcios não dá para brincar em serviço. Se querem manter um relacionamento minimamente equilibrado estejam atentos. O meu pai Saturno (Cronos) diz que ou aprendem a começar com alicerces fortes, a gerir e a preservar, ou a estrutura vai abaixo (lembrem-se da fábula dos "Três Porquinhos"). O meu irmão Júpiter (Zeus), diz que
a vida é para ser vivida crescendo em capacidades
e com optimismo, mas é preciso ter cuidado com
os exageros. O meu outro irmão, Urano, esse diz que para fazer perdurar no tempo um relacionamento é preciso ser-se inventivo e respeitador das diferenças que cada um possa ter. E o acessório? Já não se lembravam dele? É o Marte, caramba!!! Pois como
já disse, com ele não se brinca. Porque em matéria de relacionamentos e divórcios por vezes as coisas acabam com todos à estalada. O Marte é útil quando é necessária a coragem e o destemor para levar por diante o que é preciso fazer. Mas quando ele
se "passa", bem, o melhor é fugirem da frente.

 

Já repararam que na secção das "doenças terminais" o texto explicativo está bastante curto? E porque será que na secção dos "divórcios" a saga parece não acabar? É que nesta área de vida vocês, humanos, nunca mais aprendem. Então nós, os deuses, tivemos que constituir uma equipa capaz
de tratar de um tema no qual vocês estão sempre
a falhar, salvo algumas excepções. E nós, os deuses, sabemos cuidar das excepções. Bom! E agora um imprevisto. Acontece que por motivos inadiáveis vou ter de interromper esta sessão de esclarecimento. Volto em breve pois tenho muito mais para vos dizer. Não envio beijinhos porque aqui no submundo os beijos são pegajosos. "Hiá! Vira pra lá!" Assim diriam os brasileiros. Eles, os brasileiros, têm um excelente sentido de humor. Isso é coisa que não abunda aqui por baixo no meu submundo. Chau e até breve! Volto já! Não se esqueçam que estou sempre de olho em vocês. Afinal não sou eu o vosso protetor
e querido amigo Plutão?

INTERVALO... ZzZzZz...

Após o intervalo... ZzZzZz... cá estou novamente
de volta para continuarmos o nosso diálogo. O quê? Diálogo? É categoricamente um monólogo. Porque aqui quem dita os termos sou eu. Sim! Sou um

Hades e Cérebro.jpeg

Imagem extraída do site "Aventuras na História"

ditador assumido. Quando se trata de mudar o curso aos acontecimentos as coisas seguem o rumo que
eu ditar, e não existe espaço para negociações. Agora que estão definidas as hierarquias vamos continuar. Onde é que nós estávamos? Há! Sim!
Os divórcios. Mas sobre este tema já foram dados
os avisos suficientes. Vamos ao seguinte.

Trabalho (ou emprego): apesar do humor negro
ser uma das minhas especialidades, mas não irei
de modo algum usá-lo com este tema. Não se brinca com a sobrevivência das pessoas, pela qual tenho muito respeito. Mas como sobrevivência é outra das minhas especialidades, não posso deixar de alertar aqueles humanos que nasceram em boa relação comigo. E agora é caso para perguntar: será possível alguma vez estabelecer uma boa relação comigo? Eu, o "Senhor dos Infernos", o deus da morte, aquele que todos temem, serei eu alguma vez amigo de algum humano? Depende de como entendemos os "altos" e os "baixos" do percurso da existência neste mundo carregado de desafios. Para aligeirar
as coisas cá vai um entre muitos provérbios que eu adoro. "Para que os ramos de uma árvore atinjam uma altura considerável, as suas raízes terão que descer bem fundo!" Então parece que até as árvores não se livram de mim, não é verdade? Se as raízes
da árvore têm que ir bem fundo, isso significa que têm de tomar contacto com a força vital que existe por debaixo do aparente submundo inóspito.

 

SOBREVIVÊNCIA!!! SOBREVIVÊNCIA!!!
SOBREVIVÊNCIA A TODO O CUSTO!!!

Esta deve ser a "palavra de ordem" para que tudo tenha continuidade. Mas aqui temos mais um problema. É que todos os sistemas de vida têm direito à sobrevivência. Então eu, o deus da morte, estou a falar de vida? Isto faz algum sentido? Pois é. Vida e morte são "duas faces da mesma moeda". Este é outro "chavão", mas é verdadeiro. Mas parece que me perdi do tema "trabalho (ou emprego)". Acham? Não, na minha perspectiva, é claro. O facto da expressão "sobrevivência" estar associada aos instintos mais básicos, isto só é perigoso quando
à solta e desligado de valores mais nobres. Para fazer uma pequena analogia, é preciso não esquecer
que os três chacras inferiores, canais por onde se manifestam os instintos primordiais de vocês, humanos, estes três chacras são o "espelho" dos outros três chacras superiores. E quando vocês estão equilibrados, os instintos não se podem manifestar
à revelia das forças mais elevadas. É uma questão
de "balance", como se diz na língua inglesa.

Por conseguinte, quando me refiro a trabalho
(ou emprego), por vezes torna-se necessário manter uma situação profissional por pouco satisfatória
que se apresente. Quando não se consegue, é neste caso que eu mato as ambições desapropriadas que reclamam por algum trabalho supostamente melhor. E desapropriadas porque as circunstâncias em que algum de vocês possa estar envolvido, podem não estar a facilitar e a abrir o leque de escolhas. Então se vocês, humanos, não atendem aos avisos de negação que as circunstâncias vos estão a impor, num desejo desmedido por mudança dão passos
em frente para de imediato se despenharem no precipício da precariedade. Mas foi escolha vossa.
Se por outro lado compreenderem o momento,
e tentarem fazer o melhor que podem e sabem com o que as circunstâncias lhes estão a proporcionar, então podem vir a descobrir que fazem milagres com pouco, onde outros se afundam com muito. Sendo assim, trabalho ou emprego nos tempos actuais,
a regra de conduta continua a ser a mesma desde
à centenas de anos. Ou seja, cada um de vocês
que tente fazer o melhor que sabe com o que tem entre mãos. E não se esqueçam que o "mestre das ilusões" não sou eu. Esse departamento pertence ao meu irmão Neptuno. Eu, Plutão, só mato os enganos e as ilusões que ele espalha. E quando o meu irmão Neptuno resolve fazer uma "farra" com o Hermes (Mercúrio), aí temos uma dupla de trapaceiros.
Entre vocês, humanos, também há quem tenha um bom sentido de humor. E quando se trata da dupla de trapaceiros (Neptuno/Mercúrio), dizem alguns
de vocês que estes dois são capazes de vender três vezes a Torre de Belém à mesma pessoa. Percebem o aviso? Sentido prático, o lado positivo de Mercúrio, e capacidade de percepção do essencial, o lado positivo de Neptuno. E nada de ilusões e fantasias impraticáveis. Portanto, ficam a saber que não existe o trabalho ou o emprego ideal, assim como não existem situações inteiramente maravilhosas.
Se vocês, humanos, se deixam caír neste logro, é nesta fase que entro eu, Plutão, e mato-vos todos esses paraísos ilusórios baseados nas vossas criações mentais artificiais. Nada me dá mais gozo. Sádico, eu? Nem por isso. Vocês é que se põem a jeito.
E eu aproveito para vos mostrar o quanto a vida é frágil, e que é preciso que vocês a cada momento desenvolvam a capacidade de se reinventarem.
Isto é que é transformação pela positiva. Mas vocês não aprendem. Então por vezes tenho de ser eu
a fazer as coisas à bruta. Para finalizar esta parte referente a trabalho vamos acrescentar uma palavra
a "sobrevivência", que é... (ouve-se o rufar dos tambores) e... tarã!!! COLABORAÇÃO. Pensem nisto como requesito essencial para criar um sentido
de unidade social e mundial. Então parece que eu, Plutão, ao dar-vos avisos desta natureza, não sou assim tão tenebroso, certo?

E agora como é que se vê no vosso mapa astrológico se algum de vocês está de difícil relação comigo? Para entenderem melhor esta questão seria desejável que conhecessem razoavelmente a minha família e afins. Afins? Que é isso? São apenas os restantes intervenientes que fazem parte do drama da vida. Drama? Porque é que tem de ser um drama? Bem! Só será um drama muito dramático se vocês, humanos, se empenharem a fundo para que assim seja. Mas deixem-me dizer-lhes que nesta parte vocês são muito bons. Mas existem outras possibilidades. E quando eu intervenho da maneira mais drástica é apenas para vos mostrar que existem mesmo outros caminhos. Mas voltando ao mapa astrológico e apenas como um exemplo, afinal este texto não pretende rivalizar com algum compêndio de Astrologia, mas posso e devo dar um exemplo para os mais curiosos. E o exemplo mais bombástico (esta palavra também me fica bem, não acham?),
mas um bom exemplo é quando alguém nasce e eu de imediato alugo prontamente a Casa 1, o mais próximo do ângulo do Ascendente possível. Ás vezes até tenho de atrasar o parto para conseguir esse lugar no mapa de nascimento. É claro que estarei
lá nesta posição para o melhor e para o pior.
Mas vamos ser positivos. Positivo, eu? Há quem
não concorde. No entanto, "os cães ladram, mas
a caravana passa!" E o "meu para melhor ou pior"
é que irei proporcionar àquele humano um sem número de experiências que o irão levar até aos limites. E assim o vou empurrando mostrando-lhe que ele, humano, é muito mais poderoso do que ele, ou ela, pensa que é. Comigo a acompanhar o grau do signo Ascendente não há lugar para fraquezas.

Meus caros amigos e amigas, eu gostava muito
de poder continuar a partilhar convosco os meus saberes, mas tenho ali o chefe de redação deste site a fazer-me sinais que já chega de conversa escrita. Não me despeço porque como já referi em linhas anteriores, "estou sempre de olho em vocês". Apenas peço que não ignorem a realidade de que para descobrirem a escadaria para o Céu, primeiro vão ter de passar pelos meus domínios para um cházinho. E tenham em conta que aqui em baixo, como espelho da escuridão que habita em cada
um de vocês, não tenho açúcar para adoçar o tal cházinho. Vão ter de o tomar com alguns "amargos de boca". Mas como já devem saber, tudo isso
faz parte da "festa". E desta... não se safam.
Um até sempre deste vosso amigo Plutão,
em qualquer posição que eu possa estar a ocupar, em um qualquer vosso mapa de nascimento. ■

Plutão.png

Saramago, Novembro 2022

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