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A crise da Meia-Idade

A palavra "crise" é uma expressão por nós sobejamente conhecida, mantendo-se sempre
na ordem do dia, da tarde, da noite...!!! O vocábulo "crise" é uma boa arma de manipulação do inconsciente colectivo. Mas tem uma muito especial
e particular importância no percurso pessoal, quando se refere à fase da "Meia-Idade" na vida de alguém.

Quando nos referimos à "Crise da Meia-Idade",
a expressão sugere metade do percurso da vida de um ser humano, cuja exatidão da totalidade da idade final se desconhece o quanto irá ser. Mas faz-se um cálculo médio de acordo com a actual esperança de tempo
de vida. No entanto, o cálculo não é feito assim tão no abstrato dos números. Veja-se o gráfico que figura num outro artigo deste site, com o título: "Ciclos e Tempo", e fica-se com a noção de que o termo "Meia-Idade", afinal, está baseado na fase média da soma de três grandes ciclos de tempo, que perfaz cerca de 84 anos.

 

Se dividirmos ao meio a cifra 84 o resultado é de 42. Como nas Leis da Natureza os ciclos do tempo não terminam num exacto momento, para de imediato dar lugar ao começo de um novo ciclo, há sempre um período de tempo que marca o decair do velho ciclo, em paralelo com a fase em que o novo ciclo já está
a começar. Isto é, na medida em que o velho ciclo
vai terminando, ao mesmo tempo o novo ciclo vai mostrando as novas tendências. Por outras palavras ainda, há sempre a interpenetração da fase final de um velho ciclo com a fase inicial do que está a começar.

Mas há um motivo para que a metade da soma dos três grandes ciclos aconteça pelos 42 anos. Se seguirmos
a regra da interpenetração dos finais e começos dos ciclos de tempo, vamos obter uma amplitude de cerca de quatro anos, que dá lugar à fase da famosa "Crise da Meia-Idade", entre os 40 e os 44 anos, na história
de vida de qualquer ser humano, tenha ele uma posição de destaque na sociedade ou seja apenas um cidadão comum. A crise da "Meia-Idade" e a morte física, sem excepção, ambas "batem à porta" de todas as pessoas. E por mais poderosa que a pessoa
se intitule não irá ter, nunca, controle algum sobre
estes aspectos da existência e final da mesma.

 

O que de novo surge na vida de quem atingiu
a fase da Meia-Idade?

 

Para se responder a esta questão há que levar em
conta o seguinte. O que em termos gerais caracteriza

as alterações psíquicas e ritmos biológicos nesta fase extensível a todas as pessoas, particulariza-se no que realmente alguém enfrenta devido às influências do
que tem sido o seu percurso individual até à fase
da Meia-Idade. Esta fase é um tempo de readaptação
à vida e a novos padrões de comportamento,
mas é também um tempo de colheita em função
do que a pessoa semeou ao longo dos seus 40 anos
de existência.

 

Porém, se quando chegada esta fase alguém tem
sérias queixas a apresentar, tirando o pano de fundo das circunstâncias ambientais onde se inclui o tipo
de família e da sociedade da época em que nasceu, tudo o mais é da sua responsabilidade e do critério
que adoptou para fazer as escolhas que fez até à fase da Meia-Idade. Por conseguinte, esta fase "pede"
uma honesta auto-avaliação para que se faça
a triagem do que já não faz sentido para continuar
a fazer parte da vida da pessoa. E em certos casos
esta triagem não necessita de ser demasiado severa
ou demasiado radical.

 

No entanto, muitas vezes envolve uma separação ou um divórcio, uma mudança de emprego ou mesmo de profissão, uma mudança de casa ou ir viver para um lugar diferente com costumes diferentes, etc. Se considerarmos as alterações psíquicas em termos particulares, esta é uma boa fase para se tomar consciência de que aquilo que classificamos como juventude, no que respeita à aparência física ficou para trás, e isto envolve a revisão e aceitação da condição em que a pessoa se possa encontrar.

 

Muitas pessoas nesta fase entram em experiências loucas e arrojadas para provar a si mesmos e aos outros que ainda estão muito capazes do que quer que seja. Tudo isto vai inevitavelmente "mexer" com questões
de auto-estima.
Esta fase pode ser uma boa fase
se não se ensombrar com nuvens demasiado cinzentas o percurso de cerca de quatro anos conhecido como
"A Crise da Meia-Idade". Só a palavra "crise" já causa apreensão, porque activa no inconsciente pessoal
e colectivo, o síndrome da austeridade, da restrição
e da dificuldade.

 

Mas nesta fase cabe a cada um a tarefa de rever
o que anda por cá a fazer nesta existência, e que ofertas tem esperado deste mundo que lhe possam ter vindo
a ser negadas. Também aqui temos um problema
com a escala de valores. O que é que ainda considera importante como aquisições para a sua vida, e o que
é que possa já não fazer sentido? No filme de animação com o título "A Pequena Sereia", da "Walt Disney", aparece a figura da "Bruxa Má" que dirigindo-se
à "Pequena Sereia" diz-lhe assim: "
Pois é, minha filha,
a vida é feita de escolhas difíceis!
" Se este é um sério
e complicado problema para as sereias, quanto a nós, humanos, sabemos muito bem o quanto a vida é feita de escolhas difíceis.

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Pensando agora em quem estuda e possa estar envolvido em alguma prática astrológica, passo
a indicar o que significam os ciclos do tempo na vida humana na fase da Meia-Idade, na qual se combinam algumas sincronias planetárias em termos gerais, mais as que possam eventualmente ocorrer em função da estrutura astrológica com que nasceu.

Antes de mais convém lembrar que o percurso das órbitas planetárias em torno do Sol não descrevem círculos perfeitos. E a observação que fazemos dos astros é geocêntrica, numa prática astrológica observada a partir da Terra, que difere da Astrologia Heliocêntrica. Assim, posicionados na Terra olhamos
o Sol e os demais planetas girando em volta da Terra, ao longo de uma linha imaginária a que chamamos Eclíptica, que é definida como o caminho APARENTE do Sol em volta do planeta que habitamos, a Terra.
E esta é a visão de referência para quem observa os astros a partir da Terra. Acontece ainda que nesta geometria espacial o observador dos astros encontra-se num planeta, a Terra, cujo eixo tem a inclinação de
23 graus e 27 minutos, que faz com que por vezes veja os astros mais afastados ou mais perto da Terra (no Afélio ou Periélio). Com o desfasamento dos astros mais longe ou mais perto da Terra em certas fases
das suas órbitas, esta geometria espacial faz com que certas gerações de pessoas não vivam as mesmas sincronias planetárias na mesma faixa de idade. Isto é claro para quem estuda Astrologia e Astronomia a um certo nível, mas difícil de entender para quem não estuda ou não conhece os tempos de duração das trajectórias planetárias. Para simplificarmos o exposto neste artigo, vamos apenas considerar a faixa etária
de certas pessoas que vive as seguintes sincronias planetárias na fase Meia-Idade.

Cerca dos 42 anos cumprem-se 3,5 ciclos de Júpiter,
e dizemos que se dá a 4ª oposição de Júpiter em trânsito em relação à posição de Júpiter no mapa de nascimento. Pelos 43 anos cumpre-se metade do ciclo de Urano, e dizemos que se dá a única oposição de Urano em trânsito em relação à posição de Urano no mapa de nascimento, porque o ciclo completo é de cerca de 84 anos. E também cerca dos 43 anos de idade cumpre-se 1,5  ciclo de Saturno, e dizemos que se dá
a 2ª oposição de Saturno em trânsito em relação
à posição de Saturno no mapa de nascimento.
No caso desta 2ª oposição de Saturno em trânsito em relação à posição dele mesmo no mapa de nascimento, diz-se que esta é a fase da 2ª adolescência.

 

Mas e o que significam todas estas sincronias planetárias, e qual a mensagem que transmitem como propostas de renovação no modo de viver?

Tendo chegado a um desenvolvimento extraordinário,
a psicologia moderna afirma que "A VIDA COMEÇA AOS 40!" Porquê!? Porque na melhor das hipóteses esta é uma fase em que sentimos que ainda não estamos velhos, mas sim mais maduros e conscientes,
e também mais capazes e mais sensatos para não se fazerem escolhas irreflectidas. Nesta perspectiva
e focando a atenção no ciclo e meio de Saturno que
se cumpre na fase da Meia-Idade, fase esta referida como 2ª adolescência, a proposta nesta fase já não
será a de contestação frente às figuras parentais e à sociedade como na 1ª adolescência, mas a contestação será frente a si mesmo numa atitude sensata e entendendo que é preciso ponderar antes de escolher.

 

Sendo o símbolo de Saturno representativo da experiência adquirida através do tempo, ele é o Senhor da regra, da disciplina e dos limites, mas também o "Senhor dos Anéis de Poder", poder este que na psicologia humana é a firmeza e segurança alcançadas através da experiência transformada em sabedoria.
Esta é a fase do amadurecimento. E ainda temos que ao 1,5 ciclo de Saturno juntam-se 3,5 ciclos de Júpiter, dizendo que nesta fase também se dá a 4ª oposição
de Júpiter em trânsito em relação à posição de Júpiter no mapa de nascimento, significando em confluência com a "bênção de Saturno" (experiência), o que poderá ser uma fase de expansão e crescimento.

 

O 4º confronto (oposição) de Júpiter frente a ele mesmo é um desafio em relação ao que se aprendeu até esta fase, e com que ideais queremos continuar pelo percurso da vida. Mas falta-nos ainda acrescentar
o já anteriormente referido meio ciclo de Urano, que neste período de 4 anos converge com os de Júpiter
e Saturno, acrescentando uma tónica reformista e apelando para que a atenção da pessoa de Meia-Idade se vire para uma atitude mais visionária e futurista, aceitando a condição em que se possa encontrar, deixando para trás a esfumada ideia da saudosa juventude, que já serviu os seus propósitos mas já não se aplica e pertence ao passado. Muitas pessoas chegam aos "40" persistindo na ideia do que já foram, não tentando fazer o melhor que podem com o que são, e deixam escapar dos lábios a frase "Ó tempo volta para trás!" Em conclusão, esta é uma boa fase para deixar seguir no arrasto do tempo os já gastos formatos do passado em todas as áreas de vida,
e a pessoa assumir-se, ela própria, com a auto-estima
e auto-confiança de quem chegou onde chegou,
mas fruto do seu próprio esforço e empenho.
Isto na melhor das hipóteses. Sejamos positivos. ■

Saramago, Outubro 2022

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